Mestre Ritondale


08/05/2012


PRODUÇÃO E INTELIGÊNCIA COMO FORMAS DE AUTOCONHECIMENTO

            

            Na nossa sociedade de muito produzir ou até em sociedades em que praticamente fazer apenas o mínimo é o cotidiano, há sempre a avaliação das pessoas pelo que fazem. O julgamento busca avaliar qualidade e eficiência.

            O aproveitamento de como as pessoas nos veem serve como parâmetro para nosso autoconhecimento. De certa forma, o outro é o espelho que nos vê por trás ou por ângulos que o espelho não alcança.

            É importante, pois, que tratemos de perceber como nossa produção afeta as demais pessoas e saber encontrar nas avaliações alheias algum ponto de apoio para que nós saibamos enxergar como somos na condição de seres produtivos.

            Em primeiro lugar, é preciso verificar aquilo que produzimos. Qualquer tipo de criação, ainda que não exposta ao mundo, é uma produção. Escritores de gaveta, pintores caseiros que nem assinam suas obras, atletas de final de semana, comunicadores por torpedos apenas a amigos, parentes e namorados ou namoradas, todos são produtores de alguma coisa.

            Não se trata de uma avaliação para que consigamos dizer “sou bom nisso”. Esse tipo de conclusão pode não significar muito para nossa melhoria de produção, nem para a continuidade de nossos esforços, talvez nada para  algum tipo de percepção que nos leve a algum ganho material em troca de nosso talento.

            O reconhecimento alheio ou a nossa própria conclusão de que sabemos bem alguma coisa pode identificar para nós um sentido do fazer, que pode ser o de que fazemos determinada coisa porque amamos diletantemente fazer algo ou porque alguém depende daquilo e sabemos bem como fazê-lo, daí continuamos a fazê-lo para favorecer a esse alguém em troca talvez de elogios e até ganhos.

            Resultados importam, sim. Há até avaliações de desempenho, como provas e exames, que indicam alguma coisa. Os famosos testes para avaliar habilidades, como os de inteligência, habilidades manuais, raciocínio espacial, etc., servem para conhecer algum tipo de inteligência ou condição de desempenho em alguma área. Tudo isso auxilia a que nos conheçamos ou tenhamos ao menos uma dimensão de como estamos num determinado momento em alguma área do saber ou em algum tipo de tarefa que exija um determinado desempenho.

            É importante constatarmos junto a quem recebe nossa produção e a quem pode avaliá-la tecnicamente, ou até em termos de recepção de consumidor, o que mais ou menos precisamente nós somos como produtores. Se algo agrada, posso aproveitar essa informação para alguma coisa? Se desagrada, como alterar o produto? Se há uma indiferença, será que eu sei me divulgar?

            Saber responder a essas questões e a outras correlatas significa ver-se no fazer, que é uma forma poderosa de nos situarmos no mundo.

            Nunca podemos nos esquecer de que uma opinião apenas não esgota todas as possibilidades avaliativas, além de sempre termos que considerar que algo que produzimos pode não servir a uma pessoa, mas eventualmente pode significar muito para outra. Pode haver julgamentos suspeitos, nas iniciativas de apoio por solidariedade, como, por exemplo, a de alguém que compra um produto de um vendedor para auxiliar com sua sobrevivência, sem que a pessoa vá utilizar o produto. Além desses, as avaliações de pessoas próximas podem ser muito favoráveis ou francamente severas nas censuras, e isso não deve significar uma opinião única e definitiva.

            Devemos nos prevenir sempre contra o autoengano, a ilusão de que sabemos algo que não efetivamente sabemos. Existe um provérbio árabe que transcrevo abaixo e que serve como mostra de quatro tipos de  comportamento diante do saber: “Quem não sabe e não sabe que não sabe, é um tolo – ignore-o. Quem não sabe e sabe que não sabe, é um ignorante – ensine-o.  Quem sabe e não sabe que sabe, é um sonhador – desperte-o. Quem sabe e sabe que sabe, é um sábio – siga-o.”.

            Deve-se ter em conta não a condição genericamente de saber, mas situações especializadas e momentâneas, porque, como já escrevemos antes, o conhecimento e o autoconhecimento são dinâmicos.

            Como curiosidade, compus o que eu entendi como um contravérbio (que, num modo original, um humorista nomeou cada um de seus chistes em oposição a um “pro”-vérbio) em oposição a esse provérbio árabe. É uma maneira de demonstrar uma produção minha, que também espelha um pouco do que sou (difícil classificar-me, deixo a tarefa ao leitor). Eis o contravérbio brasileiro meu narcíseo (como eu o denominei): “Quem sabe provérbio árabe e não sabe que é um sonhador, é um tolo – desperte-o; Quem não sabe que é um ignorante, não sabe que não é um sábio – isto é óbvio, menos para ele; Quem sabe e sabe que sabe que não lhe deve ser dito o que sabe – ouça-o se ele disser o que sabe e conseguir convencê-lo, ou ignore-o; Quem não sabe ensinar não siga seus próprios ensinamentos – aprenda com os outros, primeiro.”.

            Brincadeiras à parte, a condição técnica deve presidir ao julgamento sobre saber ou não. Estudar um assunto antes de se meter a falar dele é absolutamente importante. Quanto maior a especialização e o aprofundamento em um assunto, mais ele nos será familiar e sobre ele teremos mais proximidade com o julgamento de que somos sábios naquele ponto. Como não há ninguém que consiga conhecer tudo, mesmo que seja de apenas um assunto, o conhecimento estará sempre aberto. A imprevisibilidade de que saibamos também apresentar nosso conhecimento ao mundo sempre com a mesma competência também diminui a precisão do nosso autoconhecimento, já que não é garantido que saberemos reconhecer quem nós somos infalivelmente sempre. As limitações, até de nosso próprio autoconhecimento, fazem parte do processo de conhecer-se e de não conseguir conhecer-se, porque também teremos limitações de admitir ou saber tecnicamente como julgar-nos, exatamente porque não se pode conhecer tudo.

            E os testes de inteligência ou habilidade podem apresentar algum tipo de precisão para avaliar a si mesmo? Até indicam alguma coisa, mas servem muito mais como um mapeamento de tendências. Quem se fiar em um número tal para um teste de quociente de inteligência como fórmula única que fixe sua capacidade não terá a devida dimensão desse tipo de testes. O objetivo não é mostrar algo fixo, mas uma possibilidade próxima de um momento. Até a inteligência é possível incrementar. Não fosse assim, não haveria tantos estudos para tratar esse assunto. Os indicadores de testes auxiliam para aferir uma aptidão, um desembaraço para algo, mas como condição momentânea. Se o uso for para corrigir defeitos e aprimorar pontos, eles são bons indicadores; caso contrário, a frustração surgirá ou o tempo dedicado a fazê-los será perdido.

            Mas, por favor, não me venham com o tal “bom senso”! Dele trato em outra oportunidade. 

Escrito por Claudionor Aparecido Ritondale às 21h25
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CONHECER-SE NÃO SIGNIFICA NADA ESTÁTICO

            Li hoje esta frase, que me encantou: “A receita para perpétua ignorância é permanecer satisfeito com suas opiniões e contente com seus conhecimentos”.

            Quando pensamos em conhecermos a nós mesmos, temos que entender que nosso entendimento do mundo é resultado da incorporação de valores de outras pessoas em nossas vidas. Somos uma função do outro. Assim como valores se alteram, nós também nos alteramos. Isso significa que conhecemos a nós mesmos em momentos diversos, daí ser o autoconhecimento algo que também evolua. O importante é a sintonia com a mudança.

            Não devemos pensar também que há um só parâmetro para o conhecimento, porque muitos são os critérios que podemos adotar. Não nascemos fabricando critérios, apenas raciocinamos sobre os que teóricos propõem e cuidamos para adaptar e fazer nossos próprios a partir de vários modelos.

            Com muitas referências, o conhecimento de si mesmo torna-se muito mais complexo. Hoje a quantidade de opções para qualquer mísero entretenimento é imensa, daí ser muito mais difícil saber o que nos encanta e o que faz de nós o que somos.

            Certa vez fiquei intrigado com a colocação dos premiados em um concurso literário de que participei. Busquei vários critérios para compreender como tinham chegado os julgadores à decisão. Cheguei a pesquisar em um livro de criatividade a evolução do julgamento da arte ao longo da história da humanidade. Desvendei uma quantidade bastante grande de critérios, foram, ao todo, 35. O último deles foi o de agradável para mim, que é o mais amplamente utilizado como critério de julgamento. Para a autora do livro, se utilizado exclusivamente, empobrece o julgamento, mas pode ser decisivo em caso de alguém que o utilize para si mesmo e resolva tomar a decisão de se excluir do mundo por causa disso (não ser nenhum pouco agradável a si mesmo).

            Os critérios devem ser, portanto, múltiplos, não exclusivos. Porém, não se pode utilizar apenas a ideia quantitativa, porque pode haver critérios que não se encaixem nas convicções da pessoa. Um dos critérios apontados para julgamento de criatividade é o conceito platônico de inspiração, que dava conta de criatividade era inspiração divina. Ora, se a pessoa não professa nenhuma crença em Deus, como pode aderir a esse critério?

            Nem tudo, portanto, é assimilável como critério. A importância dada a critérios técnicos pode ser importante, mas desde que os compreendamos e façamos um uso não tendencioso demais. Certa feita em um concurso com duas modalidades, feitos em funcionários de dois prédios, houve uma parcial exibida a todos os julgadores. Como em uma das categorias não havia contemplados com os primeiros três lugares de um dos prédios, um dos últimos julgadores resolveu aprimorar seus critérios de tal forma que pudesse de alguma forma reverter o quadro e promover alguém de seu prédio na categoria em que não havia nenhum contemplado entre os três primeiros. Ele não se contentou em ver os dois primeiros lugares de seu prédio numa das categorias, como foi o que ocorreu, ele também queria ver gente de seu prédio contemplada nas duas categorias entre os três primeiros. Isso é julgamento parcial, é autoengano, algo que devemos evitar em todo processo de conhecimento, seja de nós mesmos, seja de qualquer outro objeto a conhecer a partir do julgamento.

            Só para aliviar a curiosidade, exibo os 35 critérios que depurei do livro de criatividade que pesquisei:

1.Inspirado. Baseado no conceito platônico de que criatividade é inspiração divina.

2.Insólito. Baseado no conceito de quem vê criatividade como loucura, estranhamento, pela imprevisibilidade, pelo insólito.

3.Intuitivo. Calcado no conceito de que quem é criativo tem grande intuição.

4.Dotado. É a avaliação biológica, daquele que demonstra que nasceu criativo.

5.Associativo. Um conceito a partir do comportamentalismo, por exemplo, de Skinner, quando vê criatividade como fruto de associações.

6.Recombinativo. No conceito da Gestalt, que vê o criativo como aquele que recombina experiências passadas, enquanto que o reprodutivo apenas as relembra.

7.Sublime. No sentido de Freud e dos primeiros psicanalistas, que viam a arte como forma de sublimação de conflitos de base sexual.

8.Rememorativo. Jung vê a criatividade como relembrança de situações atávicas, uma busca de arquétipos universais.

9.Distante. Aqui, a distância é vista do ponto de vista de psicanalistas como E. Kris,  que enxergam a criatividade como a conquista maior da distância das situações geradores de conflitos interiores.

10.Flexível. É o ponto de vista de psicanalistas como Kubie, que veem como criativos os que são flexíveis, enquanto rígidos e convencionais seriam os que só conseguem fazer associações com elementos preestabelecidos.

11.Impetuoso. É o papel da vontade e da coragem, segundo a visão de Otto Rank, para quem o criativo consegue afirmar-se nos desejos pela criatividade, enquanto o neurótico perde-se em seus conflitos, e o adaptado apenas segue as regras impostas pelo seu meio.

12Expansivo e extenso. Conceitos extraídos a partir das observações de Carl Rogers, que vê na autorrealização a expressão do potencial criativo, que se realizaria como expansão e extensão expressiva.

13.Imerso. É o conceito de Rollo May, para quem encontrar intensamente uma ideia, estar imerso totalmente nela, é a característica maior do ser criativo.

14.Realizado. Um conceito de vários humanistas, mas bem mais desenvolvido por Maslow, que considera os seres criativos como os que se realizaram intelectual e pessoalmente.

15.Espontâneo. Derivado das concepções de Piaget de assimilação (apenas iniciando o processo de espontaneidade) e acomodação (quando o desenvolvimento da personalidade está maduro e a criatividade torna-se, então, plenamente acomodada, espontânea).

16.Amoroso. Na consideração de Gowan de que a base para a criatividade é o amor: vê-se no criativo a capacidade de realizar esse amor.

17.Autoidentificado. Para Lesner e Hillman, as forças da libido convergem, durante a vida, para diferentes focos de valorações, mas o cerne é a autoidentificação.

18.Divergente. É o conceito mais elaborado, trazido por J. P. Guilford e seguido por Paul Torrance. Calca-se nas ideias de fluência, flexibilidade, originalidade e elaboração. O produto que oferecer maior sentido de variedade, de divergência, será mais fluente, flexível, original e elaborado.

19.Integrador. Segundo as teorias psicofisiológicas que se baseiam nos hemisférios cerebrais, os produtos mais criativos seriam elaborados a partir de uma grande integração dos dois hemisférios cerebrais (direito e esquerdo).

20.Original para a época e o meio. A partir das abordagens sociológicas, os exemplos maiores de criatividade seriam os que ultrapassam o meio social e a época.

21.Imaginativo. As abordagens psicodélicas privilegiam as grandes descargas de imagens como reveladoras do ser mais criativo.

22.Promissor. O sentido de promissor está ligado à abordagem instrumental, que vê o ser criativo comparado a um investidor de ações, que compra na baixa e vende na alta, depois da valorização que apenas “ele” viu nos papéis.

23.De pasmar. É o ponto de vista de quem está pesquisando a criatividade como processo, baseando na conclusão de textos como os de Fernando Pessoa citado no livro, à página 54, que vê a criatividade como um olhar nítido e dotado do “pasmo essencial” de uma criança.

24.Iluminador. A partir da noção de incubação, ter-se-ia uma iluminação, vinda depois de um período de descanso, quando se está fazendo outra coisa, mas há um preparo por parte do ser criador, que encontra a iluminação na ocasião do lazer incubador.

25.Fonte de descobertas. Aqui, a ideia do acaso, de quem não está procurando algo e acaba fazendo uma descoberta por acidente ou sorte, é o tal princípio da serendipidade.

26.Revolucionário. No sentido de Mackinnon, o produto criativo é o que rompe com princípios antigos.

27.Novo. Obviamente, este adjetivo não poderia faltar; aqui, é visto a partir das prospecções de Bessemer e Treffinger, que enxergam a novidade como reveladora da criatividade. Novo, para esses autores, é ser sugestivo, estatisticamente infrequente e transformador.

28.Satisfatório. Ainda segundo Bessemer e Treffinger, os autores que mais trabalharam a questão da criatividade, satisfatório seria o produto que atendesse melhor a certas necessidades ou servisse melhor para resolver situações problemáticas.

29.Atrativo. Seria o produto que chamasse a atenção do usuário, ainda segundo as pesquisas de Bessemer e Treffinger.

30.Complexo. Completando o pensamento de Bessemer e Treffinger, o produto criativo contém muitos elementos no mesmo nível ou em níveis diferentes.

31.Inesperado. É o conceito de heurístico, traduzido da teoria de Amabile, ou seja, aquele que resulta de uma solução nova, mesmo que ela seja apenas nova para quem a produz. 

32.Relevante. Das concepções atuais, do Centro de Estudos em Criatividade, da Universidade de Búfalo, de cujo último congresso a autora do livro que estamos estudando participou, é um conceito que salta à vista, repetindo alguns outros, mas aqui é bastante importante. Criativo é aquilo que é visto com certo destaque, que confere ao produto algo de importante.

33.Elegante. Também baseado nas conclusões do último Congresso da Universidade de Búfalo, é o produto estético, com preocupações na apresentação próxima da perfeição, no acabamento.

34.Sintonizado com meu momento. Pelas conclusões do Congresso da Universidade de Búfalo, faz diferença o “quando” na avaliação de um produto criativo.

35.Agradável para mim. É o conceito mais amplamente utilizado como critério, às vezes fazendo-se acompanhar do anterior. Ele, considerado isoladamente, segundo as conclusões do Congresso da Universidade de Búfalo e da autora, é empobrecedor do julgamento.

            Pode-se ver, pela variedade e complexidade dos critérios, que conhecer algo é realmente um desafio. Conhecer-se é invariavelmente algo também desafiador. 

Escrito por Claudionor Aparecido Ritondale às 00h39
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07/05/2012


UM ITEM IMPORTANTE DE NOSSO AUTOCONHECIMENTO: NOSSA SEXUALIDADE

                    Não seria necessário alguém como Sigmund Freud escrever que a primeira coisa que se distingue numa pessoa é seu sexo. Qualquer um, antes de uma criança nascer, já tem a curiosidade (o mínimo a se dizer) sobre se ela será menino ou menina. Obviamente, a sexualidade não é a definição do órgão sexual que uma pessoa ostentará, mas a complexidade de desdobramentos entre  ter preferência por um relacionamento adulto com alguém do mesmo sexo ou de sexo oposto.

            Para Alfred Kinsey, os seres humanos não se classificam quanto à sexualidade em apenas duas categorias (exclusivamente heterossexual e exclusivamente homossexual), mas apresentam diferentes graus de uma ou outra característica extrema. Em resumo, seriam divididos nas seguintes categorias: heterossexual exclusivo; heterossexual ocasionalmente homossexual; heterossexual mais do que ocasionalmente homossexual; igualmente heterossexual e homossexual, também chamado de bissexual; homossexual mais do que ocasionalmente heterossexual; homossexual ocasionalmente heterossexual; homossexual exclusivo; indiferente sexualmente.

            É difícil também ampliar as complexidades para além dessa classificação, que se assemelha a de um animal quanto a um critério que se defina para analisá-lo. Poderíamos pensar em algum tipo de conformação da sexualidade vista sob outro critério, que poderia ser tido como uma manifestação anormal da sexualidade (conforme se pretenda analisar), tal como ocorre com sadomasoquistas, pedófilos ou fetichistas. Também a caracterização de alguém como indiferente sexualmente poderia ser acompanhada de uma divisão entre quem optou espontaneamente por isso e quem foi obrigado por convicções de natureza religiosa, por exemplo.

            Isso tem a ver com o autoconhecimento? Fundamentalmente, sim, porque cabe a cada um tentar perceber desde cedo o que está mais próximo de suas preferências com relação à sexualidade, já que é uma das forças vitais para espécies sexuais como é o caso do ser humano.

             Descobrir-se e aceitar-se sexualmente é um dos caminhos da felicidade. O autoconhecimento deve servir à felicidade ou para nada mais servirá. Quem sabe o que procura quando se vê diante de outro ser humano – aceitação total, rejeição parcial, rejeição total –, quanto à sexualidade, tem já um direcionamento rumo a conhecer-se.

            Não importa aqui determinar se a sexualidade é fruto de hereditariedade, condição hormonal, condicionamento do ambiente, pois, qualquer que seja a origem, o que importa é saber como conviver com a orientação que se estabelece na pessoa e se ela consegue administrar junto às pessoas com quem convive as situações decorrentes dos comportamentos que manifesta.

            Não é possível dizer antecipadamente a uma pessoa como ela se comporta sexualmente sem que ela mesma admita para si mesma a sua condição real diante da sexualidade. Nem é necessário que a pessoa manifeste a sua – digamos – tendência para que ela possa ser caracterizada em um dos tipos definidos por Kinsey. Digamos que alguém nunca tenha tido um relacionamento homossexual, desde o início de sua prática sexual até sua morte, mas possa ter tido interesse grande nisso e por algum motivo não tenha jamais praticado sexo com alguém do mesmo sexo, isso não significa que ele possa ser visto como alguém exclusivamente heterossexual ou indiferente ao sexo (por ter se recusado a ter qualquer relacionamento na vida, por exemplo, já que não manifestou outro interesse que não o homossexual e não pôde, por alguma dificuldade no seu meio social, manifestá-lo em vida). Essa condição de repressão da real condição sexual ou de não manifestação não necessariamente precisa ser exposta socialmente, mas ela deve fazer parte do autoconhecimento, daquilo que a pessoa, somente ela, pode vir a querer saber de si mesma.

            Também pode ocorrer de alguém ter sido forçado a algum relacionamento homossexual, mas não ter tido mais interesse em ter contatos com pessoas do mesmo sexo, após conseguir romper com a situação que o forçou a esse tipo de contato. Isso não significaria que a pessoa seria ocasionalmente homossexual. É preciso saber identificar muito bem o que se é. Revoltas e dramas decorrentes de situações forçadas devem ser delicadamente analisados e compreendidos pela pessoa a fim de que ela evite tormentos e atitudes que destruam aos outros e a si mesma. Há um caso de uma mulher que se transformou numa assassina em série após ter sido espancada e estuprada por um homem. Ela começou a manifestar interesse por relacionamento sexual com mulheres, depois começou a perseguir e a assassinar homens como forma de vingança pelo sofrimento que obteve deles. O pior aconteceu quando a própria companheira, presa pela polícia, entregou a amante num acordo para obter sua própria liberdade, e, no julgamento dos vários assassinatos, a própria assassina pediu sua condenação à morte por afirmar convictamente que, se continuasse viva e tivesse a oportunidade de matar, ela mataria novamente.

            Tal nível de perturbação foi apenas ampliado porque a assassina já tinha sofrido abusos de familiares quando criança.

            O autoconhecimento da sexualidade, não apenas como tipo, mas na conformação atual a partir de eventos do passado e até situações presentes bastante vivas no dia a dia, é uma condição importantíssima para que haja opções de vida direcionadas à felicidade e ao prazer, que são objetivos da vivência sexual plena. Matar, destruir, sofrer imensamente, sem compartilhar prazer, não é sexualidade, é demência.

            O verdadeiro autoconhecimento é libertador, não é apenas um detalhe técnico a ser classificado. Daí ser necessário partir de algum critério, mas não se aprisionar ferrenhamente a ele, ao menos na primeira conformação. O importante é saber como nos situamos com relação à complexidade de variáveis decorrentes de cada item de uma classificação e tentarmos encontrar caminhos de felicidade possível e harmonia com o mundo, a fim de que não nos transformemos em monstros nem em vítimas da realidade.

            Daí é importante dizer que, tanto na sexualidade quanto em qualquer outro aspecto da vida, o que interessa é promovermos um autoconhecimento dinâmico, prático e voltado para nossa autopreservação  que também respeite a dignidade e efetiva qualidade de vida dos grupos que frequentamos. Se, em nossa sexualidade, houver deterioração da felicidade, temos que rever nossas posturas e buscar alterar nossos recursos para lidar com nossa sexualidade, a fim de que não nos transformemos em verdadeiras pragas emocionais contra o mundo e contra nós mesmos. 

Escrito por Claudionor Aparecido Ritondale às 23h30
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Política pessoal: passo para o autoconhecimento

 

            Pode parecer a alguns mais apressados na análise que falar de política em termos individuais é algo impraticável já que política diz respeito ao coletivo. Já da raiz grega “polis”, que era a palavra que designava a cidade, a coletividade, a noção de política é, de fato, coletiva. Ocorre que, quando se fala de política pessoal, a noção é a da postura de qualquer indivíduo perante o restante da sociedade. Nós somos seres sociais, mais do que individuais, então faz sentido que pensemos em política pessoal, que, no fundo, é a postura política do indivíduo perante o grupo.

            Na vontade de nos conhecermos melhor, temos que verificar sempre o que fazemos nos grupos sociais em que atuamos. Uma das questões mais viciadas no relacionamento entre as pessoas diz que a primeira pergunta a ser feita, quando conhecemos alguém, é o nome da pessoa, para, logo em seguida, perguntarmos a atividade profissional que ela tem. Interessa-nos saber o nome para não confundirmos a pessoa e o que ela faz. Pouco interessa perguntar se a pessoa é feliz e se colabora socialmente para a felicidade do mundo. Essas questões são as mais importantes.

            Para que tentemos descobrir um pouco do que somos, é importante rever o que desempenhamos nos grupos para assegurar nossa felicidade e favorecer a felicidade alheia.

            Necessariamente não somos apenas o que fazemos para ganhar dinheiro e obter nosso sustento. Tendemos a ver muito de nós por meio da economia. A vida não se resume a dinheiro e sustento. Ela também é usufruto e algo além do desejo de consumir.

            Uma das maneiras de buscarmos um conhecimento de nós mesmos é listar as atividades que temos, com as minúcias que conseguirmos. Uma pessoa que cuida de casa não está exclusivamente ligada às tarefas domésticas como algo monótono, repetitivo e que muitos julgam pouco importante. O que é preciso ver que qualquer pessoa conversa com outras, ouve rádio, vê televisão, lê jornais, entre outros contatos com o mundo. Esses contatos levam a demandas, que levam a mais contatos, o que determina muito da vida das pessoas. Elas vão se fazendo sociais e mostram suas identidades, ou seja, conhecem-se à medida que vivem.

            Uma lista que se chame, por exemplo, “atividades e projetos” pode tranquilamente mostrar, de início, aquilo que diz respeito ao próprio local onde se mora. Uma necessidade de uma pintura em algum cômodo, um reparo numa calha, o replantio de alguma muda no jardim, qualquer dessas atividades define um pouco do que somos, não por elas em si, mas pelo modo como lidamos com a condução dessas atividades. Quem devemos procurar, como faremos, quanto gastaremos, o que deveremos providenciar para que as coisas sejam feitas, em que tempo, com que logística? Essas perguntas mostram a sistemática de nossa vida, nosso modo de ser e de encaixar as demandas da vida em nosso cotidiano.

            Outro item da lista poderá ser a atenção com o automóvel que dirigimos. Num mundo em que temos que optar, muitas vezes, por transporte individual, será que é somente pegar o automóvel e sair guiando? Tudo o que diz respeito ao automóvel e como tomamos as providências para dimensionar a existência do automóvel em nosso cotidiano são coisas que também auxiliam a dizer como somos. Temos que lidar com as multas, a questão em grandes cidades do rodízio municipal para veículos, as taxas de licenciamento, a necessidade da vistoria ambiental, questões como seguro e manutenção, a observação dos cuidados para não haver multas e o controle delas para que não seja ultrapassado o limite legal permitido dos pontos a ela referentes, o pagamento nas datas certas de taxas e multas para não haver sobrecarga à economia pessoal, assim por diante.

            Mais um item para a lista podem ser as atividades de lazer. Dizem que também como encaminhamos nosso tempo livro ajuda a definir como somos. Isso é bem verdade, não apenas pela questão em si de escolher um destino para viagens, por exemplo, mas no modo como dimensionamos a logística para desfrutarmos nosso tempo livre. Quem deixa seus cães dentro do apartamento com uma bacia enorme de água e ração num pacotão, enche a sala de jornais e sai para viajar não tem a mínima consideração nem pelos animais nem pelos vizinhos tampouco pensa na repercussão dessa atitude na visão do síndico, que pode multá-lo. O pior é contar esse tipo de absurdo como se fosse piada a outras pessoas. O tipo de pessoa que se é, portanto, vai ser determinado pelo tipo de relacionamento e das decisões que se tem com as demais pessoas e seres que nos rodeiam.

            A busca por conhecermos nossos jeitos de tratarmos as coisas pode auxiliar-nos na tentativa de alterarmos esses mesmos jeitos a fim de conseguirmos melhoras na vida. O autoconhecimento sempre é vantajoso, mas desde que notemos com atenção o que é repetitivo e o que se mostra diferente em tudo o que nos cerca. Para que possamos nos preparar para qualquer coisa, é preciso que saibamos os recursos de que dispomos e como utilizá-los. Se não notarmos direito o que fazemos e apenas utilizarmos improvisações e absurdos como saídas para situações, evidentemente estaremos à mercê das soluções alheias, ou seja, não conseguiremos avançar em nada.

            Conhecermos como somos e o que podemos fazer com os nossos recursos são excelentes condições para estarmos posicionados adequadamente com nossa política pessoal no mundo.  

Escrito por Claudionor Aparecido Ritondale às 00h51
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06/05/2012


O que realmente uma pessoa é está muito nos seus sonhos

            Se tratarmos de autoconhecimento, obviamente teremos que pensar, em um primeiro momento, inevitavelmente em quem somos. Talvez possamos pensar em algo que somos. Pode ser que eu me engane, mas não é possível descrever a nós mesmos sem o uso de um parâmetro que venha dos outros, porque, antes de virmos ao mundo, já existiam formas de conhecimento. Nós aprendemos com o que já existia, mas também aprendemos a observar que há possibilidade de gerarmos situações novas.

            Uma forma de novidade sempre presente em nossas vidas são nossos sonhos. O conhecimento, segundo a maneira usual de o encararmos, é decorrente de uma condução intelectual no pensamento. Por sorte nossa, não somos apenas dotados de intelectualidade. Questões que até interferem na intelectualidade, mas têm uma propensão a algo não tão previsível dizem mais respeito aos sonhos e fazem algo muito mais importante pelo cotidiano de nossas vidas do que a intelectualidade sozinha.

            Tentamos e temos que transformar tudo em um conhecimento que nossa razão consiga apreender, e isso significa obviamente que transformamos tudo em intelectualidade. Não há como escapar disso, a não ser na condução de nossos sonhos. Talvez nós não saibamos que podemos  tentar dirigir intelectualmente nossos sonhos, mas nós até conseguimos isso. O resultado é que não nos lembraremos deles. Isso ocorre porque os sonhos revelam nossa subjetividade, nossa absoluta singularidade no mundo. Nem gêmeos idênticos têm sonhos idênticos.

            Se pudermos deixar que nossos sonhos sejam livres de nosso controle objetivo, teremos lembranças deles. E é importante que nós nos lembremos deles porque eles podem nos oferecer soluções criativas. Os sonhos são a elaboração artística que todos nós, mesmo que não sejamos artistas profissionais, proporcionamos a nós mesmos diariamente.  

            O sonho permite que tenhamos um conhecimento simbólico, aos olhos de nossa intelectualidade, e é justamente com os símbolos que criamos, de uma maneira a recombinar coisas do cotidiano, que nós nos expressamos a nós mesmos.

            Os símbolos não têm obrigação de vincular-se a uma fórmula percebida ou apresentada por qualquer teoria. Eles se vinculam a nós, ao nosso modo de conceber símbolos. Eles podem ser influenciados por referências de nossa cultura, como muito do que temos em nossa linguagem é, daí ser quase inevitável que tenhamos sonhos na língua que dominamos. Não é incomum que alguém que aprenda um novo idioma diga que está começando a ter algum domínio de entendimento dela quando tem algum sonho na língua que está aprendendo.

            O verbo recordar, conforme assinalam alguns dicionários, significa “trazer de volta à memória”. A etimologia, no entanto, nos diz que “Cord”, que é uma das raízes contidas no verbo, remete diretamente ao latim “cor, cordis”, que é coração. O “re” significa um retorno. Então, pela origem, recordar é trazer de volta ao coração. Quem quiser se lembrar de seus sonhos deve dar maior importância, ao menos em sua preparação para dormir, que deve ser algo em torno de uma hora, pelo menos, antes de ir para a cama, às emoções, não às racionalizações sobre o que o dia lhe proporcionou. Deixar sentir o que o incomodou, sentir de novo a emoção de quando conheceu alguém que foi interessante em sua primeira impressão ao  ser apresentado a determinada pessoa ou ter um contato inicial com alguém antes desconhecido, retomar a energia que invadiu seu corpo, ainda que sufocada pelos controles sociais, ao ver uma pessoa que você achou atraente, tudo isso são emoções que nosso cotidiano estritamente profissional e objetivo muitas vezes obriga que sufoquemos. No nosso quarto, diante de nossa solidão e de nossa cama – sim, solidão, porque ninguém dorme por nós –, teremos a nossa liberdade para saborear de novo nossas emoções, ou seja, recordá-las, trazê-las de volta ao coração.

            A vida psicológica é bastante influenciada pela memória. Sem que nos recordemos de algo que nos pareceu agradável ou desagradável, não teríamos respostas. A indiferença não leva a entusiasmo nem a sofrimento. Se algo nos tocou, ele nos interessa, daí haverá memória. E, se houver memória, haverá vida psicológica, com as alegrias e sofrimentos decorrentes dessa vida.

            As emoções – boas e ruins – não precisam sempre ser racionalizadas, elas podem ser repassadas emocionalmente em nós. O controle racional pode diminuir um pouco, porque não se pode sair por aí explodindo para tentar se libertar de um sentimento muito desagradável que lhe vem à mente e às recordações emotivas quando se está prestes a dormir. Obviamente, as leis sociais ainda imperarão e obrigarão a que tenhamos compostura. Os vizinhos não têm obrigação de ouvir fogos de artifício quando seu time de futebol ganha uma mísera partida e você quer comemorar sua euforia às duas horas da manhã. Isso já é ser angustiado demais na vida e querer compensar sua incapacidade emocional com um fanatismo.

            A proposta de rememorar emoções é absorver ao menos um pouco da angústia ou do prazer sentidos em momentos do dia. Ninguém quer amplificar as más sensações, mas também não quer fazer com que você solte sua alegria que não tem nada necessariamente relacionado com a vida dos outros. Não precisamos ser narcisistas, nem nos fazermos de vítima. O importante é sentir algo, ou melhor, procurar reviver o sentimento que chegou até nosso corpo em alguns momentos do dia.

            Os sonhos serão feitos disso e serão lembrados, porque o coração estará aberto.

            Isso nos dará uma pequena iniciação ao nosso autoconhecimento. Vamos continuar mais adiante.

            

Escrito por Claudionor Aparecido Ritondale às 00h35
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05/05/2012


AUTOCONHECIMENTO: REFLEXÃO INICIAL

Autoconhecimento pode ser algo muito complicado porque, se pensarmos em quantos níveis envolvem um ser humano, teremos muito o que pensar. Talvez tenhamos todos que estudar alguma ciência médica para conhecermos nosso corpo, que seria o nível físico de nosso ser, mas será que isso é realmente necessário?  Li certa vez um filósofo que dizia que nós não conseguimos ter a sensibilidade necessária para nosso corpo, daí adoecemos, engordamos, transtornamos nossas feições de tal forma que ficamos feios, aparentamos antipatia, enfim, fazemos de nosso corpo algo pouco razoável para com ele. No nível psicológico, que é algo que muitos dizem que se relaciona ao comportamento (eu não defino assim), também as múltiplas possibilidades nos deixariam enlouquecidos. Escrevi certa vez que terapia era olhar de vez em quando sua sinceridade. O que é sinceridade? A palavra "sincero" não tem a origem popularmente divulgada na Internet de "sem cera", nada disso: ela significa, na origem, algo que cresceu, que se desenvolveu de forma única, sem nós, sem acidentes. Olhar-se com sinceridade é, pois, retirar máscaras sociais de forçosa objetividade que impedem a visão subjetiva de nós mesmos. Só assim crescemos sem acidentes, de forma única, como uma árvore em franco desenvolvimento. Por enquanto, é só. 

Escrito por Claudionor Aparecido Ritondale às 00h20
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24/01/2012


Resumo do acordo ortográfico

ACORDO ORTOGRÁFICO 2009 – ROTEIRO (em negrito as modificações que mais afetam os brasileiros)

1.Alfabeto – K, W e Y

2.H inicial e final

3.Consoantes com mesmo som-j/g/;x/ch;s/c/ç/ss;s/z.

4.CC, CÇ, CT – PC, PÇ, PT: friccionar, ficção, pacto; núpcias, erupção, rapto.

5.E ou I; O ou U;

6.ã, õ, vogal mais M ou N (am, on); mente e Z mantém til;

7.ditongos orais e nasais; “quão” é palavra com ditongo?

8.oxítonas – mantêm pôr; têm, vêm; mantém herói; fiéis, céus;

9.paroxítonas – éi, ói desaparecem; êem, ôo desaparecem; fôrma, pôde, louvámos, dêmos – outros diferenciais desaparecem (pela, para, polo, pelo, pelos); já desaparecidos deste e deste; acordo e acordo; mantêm palavra paroxítonas com ditongo aberto éu: araréua, jurandéua.

Outras palavras ficam por outros motivos: contêiner, Méier, destróier serão acentuadas porque são palavras paroxítonas terminadas em R.

10.  i e u – hiatos – baiuca, saiinha (paroxítonas); mas tuiuiú, Piauí (oxítonas); gue, gui, que, qui (acento desaparece): águo, aguo; argui, arguis; oblique, obliques; delínquam, delínquem;

11.  proparoxítonas;

12.  acento grave indicador da crase;

13.  somente, sozinho (acento grave desaparece);

14.  trema: quase desaparece; fica apenas em Müller, mülleriano;

15.  hífen: girassol; mas guarda-sol; paraquedas, paraquedista;

16.  hífen: segundo elemento com h inicial: anti-higiênico; co-herdeiro; mas desumano, inábil; mesma letra: contra-almirante; anti-ibérico; mas coordenar, cooperar;

circum e pan: vogal, m ou N: circum-navegação; pan-americano;

hiper-, inter-, super- mais R: hiper-requintado; super-revista; inter-resistente;

antirreligioso; antissemita;

antiaéreo; coeducação;

e o re-, de re-escrever?

17.  hífen em outros casos continua (ênclise e mesóclise; eis, no-lo);

18.  apóstrofo; copo d’água; parte d’Os Lusíadas

19.  minúsculas e maiúsculas; - CDs.

20.  divisão silábica;

21.  assinaturas e firmas – direitos individuais

Escrito por Claudionor Aparecido Ritondale às 17h34
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Complemento acentuação gráfica

 Arvore  vira ÁRVORE

SAUDE  vira saúde

SAIDA  vira saída

Saia vira saía

Caia vira caía

TUIUIU  vira tuiuiú

VENUS vira Vênus

HIFEN vira hífen

ORFÃ vira órfã

ORGÃO vira órgão

ARMAZEM vira armazém

PARABENS vira parabéns

SABIA pode virar SÁBIA ou SABIÁ

Complementos: por força ainda das atuais regras:

Fiéis, herói, céu (éi, ói, éu nas vogais 2);

Pôde (diferencial de pode)
fôrma (diferencial de forma)

Dêmos (diferencial de demos)

Louvámos (diferencial de louvamos)

Pôr (diferencial de por)

Têm, vêm, retêm, convêm (3ª. Pessoa do plural)

EXERCÍCIOS RÁPIDOS

A) Em qual alternativa a tonicidade natural da vogal 2 foi desviada para a vogal 1 por meio de acento gráfico?

a. cajá

b. árvore

c. pêssego

d. urubu

e. pônei

 

B) Marque o item em que o "i " e o "u " mereceriam acentos gráficos. Observe se houve desvio de tonicidade.

 a) Jesuita, juizo, juiz, faisca, juizes,

b) Sairam, caires, cairam, caistes, sairdes

c) Balaustre, reuno, reunem, saude, bau

d) sauva, saude, Raul, paul, Luis.

e) sai, dai, açai, xiita, juuna.

 

Do ponto de vista da força (tonicidade), justifica-se o acento em têm, vêm, retém, convém, retêm, convêm? Analise as vogais e justifique.

__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

 

Pôr, Pôde, fôrma, fiéis, céu, herói são acentos de timbre, não justificáveis por questões de tonicidade.

Concorda com esta afirmativa? Justifique

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

 

Dêmos, louvámos, têm, vêm, retêm, convêm são acentos atribuídos a marcas sintáticas. São efetivamente necessários? O contexto não poderia dar conta das eventuais diferenças com palavras de mesma grafia? Justifique.

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

 

Pára e para diferenciam-se por uma questão de tonicidade, porque “para” (preposição) é um raro caso de palavra com duas sílabas e átona; daí o acento no verbo (“pára”) poder ser necessário, por exemplo , num contexto escrito como: FALTA DE CARNE PARA ABASTECIMENTO DE FRIGORÍFICOS (eventual manchete de jornal). É a carne destinada ao abastecimento dos frigoríficos (para – preposição) que está em falta, apenas isso? Ou é a falta de carne que promove a parada do abastecimento? Será que tal acento, retirado das atuais regras, não é mais necessário do que alguns mantidos? Reflita a respeito.

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

Brincadeira final: Coloque um acento circunflexo na vogal 1 da primeira palavra e um acento agudo na vogal 2 da segunda palavra, para concluirmos a aula (só brincadeirinha!):

PURÔ GESSÓ                 - Bom proveito – Prof. Claudionor Aparecido Ritondale – consultas: ritondalebr@hotmail.com

Escrito por Claudionor Aparecido Ritondale às 17h33
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Acentuação gráfica com uma única regra

Premissas 

A vogal é acentuada, não a sílaba. À exceção de palavras com uma só vogal e átonas, todas as outras terão apenas uma de suas vogais como tônica.

O til tonifica a vogal. 

Facilitadores

1) Considerando do fim para o começo, temos condições de assinalar facilmente a presença das vogais nas palavras por meio de números, conforme o modelo abaixo:

Arvore

3   2  1

                Note que a palavra acima está sem acento gráfico.  Ela é o tempo do verbo arvorar-se, por exemplo utilizado numa frase como essa: Não quero que você se arvore em conhecedor do que não conhece.

               2) Considerações a partir do estudo dessas posições:

                A MAIORIA DAS PALAVRAS EM PORTUGUÊS TEM A SÍLABA TÔNICA NA VOGAL 2, SEM ACENTO GRÁFICO.

                 PRINCIPALMENTE SOBRE A VOGAL 2 DEVEM SE VOLTAR AS ANÁLISES SOBRE SE DEVE OU NÃO HAVER ACENTO GRÁFICO NUMA PALAVRA.

                Apenas em poucas palavras a vogal 1 é tônica sem acento gráfico.

                Apenas em pouquíssimas palavras a vogal 3 é tônica sem acento gráfico.

 3) Terminações fracas em português:

a

as

e

es

o

os

am – mais de uma sílaba

em – mais de uma sílaba

ens – mais de uma sílaba

i – ao lado de vogal

is – ao lado de vogal

u – ao lado de vogal

us – ao lado de vogal

                Terminação significa que a vogal desses conjuntos de letras acima é a vogal 1.

                Exemplos de palavras com as terminações fracas:

Comida      Esporas    Tolere    Breves   Saio   Alunos

Amaram    Homem      Jovens

Sobressai   Vais

Catatau    Maus

   Notem que nas palavras acima a força nunca é da vogal 1 (se ela é fraca, a tonicidade natural das palavras estará na vogal 2, talvez até na 3 – caso de saio).

 4) Quaisquer outras terminações, em Português, são fortes (vogal 1 tônica):

Ruim    cair    Teor   Natal  Arafat  Veloz  Irmã  Urubu  Parati

(notem que o I e o U, nas duas palavras finais, vem ao lado de consoantes, daí nunca receberem acento gráfico)

 5) Particularidade do I e do U:

 Na vogal 1: Há três consoantes que atraem a força a tais vogais, dispensando-as de acento gráfico, por garantirem a elas a tonicidade: L, R, Z, além de sinais de nasal (M): cair, ruir, Adail, paul, juiz, Naum, cauim, tuim.

  Na vogal 2: Se tais consoantes forem acompanhadas na pronúncia de L, R, nasalizadas (com a presença do M, N ou NH) ou

   - Se forem acompanhadas de duas vogais (vogais 3 e 4) ou da vogal 1, serão fortes: Adailto, caindo, tainha, cairdes,  baiuca, caiu, pauis, Rui, riu, ria, rua, cheiinho

   -  acompanhadas de uma vogal apenas na vogal 3, exceto vogal idêntica, são fracas: saia, feio, Ananindeua, xiita, paracuuba (só o segundo I ou o segundo U em xiita e paracuuba são fortes; os outros são fracos).

  OU SEJA: sem agente de tonificação, são átonas;

Agentes de tonificação: consoantes fortes, nasalização, vogal 3 idêntica, vogal 1 ladeando ou 3 e 4 ladeando.

REGRA GERAL: O ACENTO GRÁFICO DESVIA A TONICIDADE NATURAL DAS PALAVRAS

É a única regra lógica de acentuação gráfica em Português!

 

Escrito por Claudionor Aparecido Ritondale às 17h33
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19/03/2008


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Escrito por Claudionor Aparecido Ritondale às 21h33
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